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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Em terras escandinavas...E meu dia de caos!

Gente, estou viva! :)

Depois da minha viagem super "the-flash" ao Brasil, cheguei de volta à Suécia já em cima da hora para estudar para uma prova, então apesar de já estar de volta há quase 2 semanas, só agora tive tempo pra sentar e escrever. Ainda bem que a tal prova já passou, se fui bem ou não ainda não sei, mas por enquanto não vou me permitir ficar preocupada com isso.

Minha viagem pro Brasil não foi bem como planejada, mas também aprendi muito com os problemas que tive. Quem ligou a televisão nos noticiários na semana anterior ao natal deve ter visto a caos aéreo que estava na Europa por conta da neve... Adivinhem? Eu estava lá! haha E posso dizer uma coisa com certeza: ficar presa num aeroporto internacional o dia inteiro é um inferno! Não desejo pra ninguém o que eu passei.

Pra começar, na noite anterior à minha viagem, vi na internet que meu vôo com a KLM já estava cancelado! Fui para o aeroporto mesmo assim, cheguei lá às 04:30 da manhã e ao invés de fazer o trecho Gotemburgo - Amsterdam - São Paulo durando 15 horas, me recolocaram em outra rota, que seria Gotemburgo - Frankfurt - Paris - São Paulo... que duraria 26 HORAS!!! Incluindo 7 horas de espera no aeroporto de Frankfurt + 4 horas de espera no aeroporto de Paris. Até aí, tudo bem. Eu tinha um livro, meu laptop, ipod, celular... Às 07:40 saí de Gotemburgo e menos de 2 horas depois cheguei em Frankfurt.


Cheguei em Frankfurt e fiquei passeando pelos terminais do aeroporto, indo pra cima e pra baixo, tomei um café, usei o computador, liguei pro Eric, pros meus pais... Depois almocei e fui procurar meu portão para pegar o vôo para Paris. Mas 1 hora antes do vôo vem a notícia: o vôo foi cancelado! Nessa acabei encontrando outra brasileira, Bruna, um pouco mais nova que eu que estava na mesma situação. Juntas corremos atrás da Lufthansa para tentar pegar um outro vôo para Paris. Mas depois de conseguir passagens e esperar mais umas 2 horas, descobrimos que o outro vôo também havia sido cancelado, e que ninguém voaria para Paris aquela noite, tinha começado a nevar e o aeroporto Charles de Gaulle estava fechado. Já era quase 18:00 horas.


Bruna e eu tinhamos o mesmo destino, e as mesmas passagens, então fomos juntas tentar resolver o problema. Mas haviam milhares de outras pessoas com seus vôos também cancelados, e o aeroporto de Frankfurt, estava um caos completo.


Mas por algum motivo, um anjo apareceu ao lado da Bruna, com uma senha para sermos atendidas pelo ticket-office da Lufthansa, na frente de centenas outras pessoas. A senha era das 15:35 horas, já era mais de 18:00 e nosso número era 661. E estavam ainda no número 600!

Esperamos...esperamos...às 21:00 horas fomos finalmente atendidas, por uma alemã de mal humor que rapidamente disse: "Não estou mais remarcando passagens, vou colocar vocês num hotel". O que eu ía fazer? Eu tinha que estar na manhã seguinte em São Paulo, já que eu já tinha uma outra passagem marcada para viajar para Rondônia nessa mesma manhã, com a TAM, mas com um detalhe: saindo do aeroporto de Congonhas, não de Guarulhos.


Mesmo achando que seria em vão, eu comecei a falar: "Senhora, por favor, a Lufthansa cancelou nosso vôo para Paris, mas nosso vôo Paris - São Paulo com a TAM não foi cancelado. Nós sabemos que tem um (único) vôo saindo de Frankfurt direto para São Paulo às 22:00 horas, e nós gostariamos de tentar pegar esse vôo." Enquanto eu falava a senhora que me atendia olhava para a tela de seu computador, e até onde eu podia perceber, ela estava me ignorando completamente. Até que ela se virou para mim e falou "Eu posso colocar vocês na lista do vôo da Lufthansa direto para São Paulo, mas o vôo está cheio e o embarque vai começar daqui a pouco em outro terminal. Vocês terão de correr muito e ter MUITA, MUITA sorte, e já tem outras 20 pessoas na lista de reserva." Eu mal podia acreditar no que eu estava ouvindo...E falamos que sim, que queriamos tentar. Eu perguntei: "Mas e as nossas malas?" Ela, dramaticamente e séria falou: "Esqueça suas malas. Boa sorte, corram!"

Eu estava tão cansada, fazia 6 horas que eu não comia algo decente (exceto as barras de chocolate e a àgua que estavam dando no aeroporto para as pessoas presas no caos), já tinha andado tanto...mas nós corremos mesmo assim, com bolsas de mão pesadas, casaco e cachecol pendurados nas bolsas...fomos correndo pelo aeroporto torcendo que um milagre fosse possível.

Chegamos no portão do vôo para São Paulo, e havia centenas de pessoas sentadas esperando pela chamada de embarque. Nós teríamos de esperar o embarque de todo mundo pra depois saber se haveria ou não lugar no avião. A demora parecia eterna, mas todo mundo entrou e começaram a chamar alguns nomes. Até que chamaram a Bruna primeiro, e eu falei "E eu, moça? Nós fizemos a reserva juntas" Ela me perguntou meu sobrenome e falei que era Rangel e ela pegou meu passaporte e em alguns poucos minutos eu tinha nas minhas mãos a minha passagem de vôo direto: Frankfurt - São Paulo. Meus olhos encheram de lágrima, eu não conseguia acreditar que nós realmente tínhamos conseguido passar por aquele furacão e sair da Europa no mesmo dia.

Já dentro do avião eu sentei, ainda meio fora de mim, agradecendo ter conseguido entrar... Demorei bastante tempo para perceber que no assento não tinha televisão, mas depois de tudo aquilo, eu viajaria no banheiro ou até sentada no chão.


Logo antes do avião decolar, já andando pela pista o piloto nos disse "Boa noite, passageiros. Nós devemos nos considerar com muita sorte por conseguirmos sair de Frankfurt essa noite!" Olhei pela janela do avião e vi que havia começado a nevar e entendi como aquele dia apesar de tudo foi mesmo de muita sorte... nós decolamos, e saímos da Europa num vôo tranquilo.

Chegamos em São Paulo na manhã seguinte às 07:30 (horário de Brasília), minhas malas, obviamente, não vieram. Encontrei minha irmã às 09:00 e corremos para o aeroporto de Congonhas, e chegamos na hora certa para fazer o check-in.

Cheguei em Rondônia de bota, calça, blusa de manga comprida, casaco e cachecol no braço, meu computador e minha bolsa de mão. Sem malas, sem nada... no calor de 30 graus.

Mas já o dilema das minhas malas extraviadas é um outro capítulo...

Se vocês se cansaram de ler esse post (que realmente ficou gigantesco), imagem viver esse dia! Mas tudo vira uma experiência de vida e uma boa história pra se contar!

6 comentários:

Ana Paula disse...

Estava com saudades! Adorei o post longo e o final feliz! é tão ruim assim comer chocolate no aeroporto?!

Lua Dandara disse...

Oi Ana Paula! O chocolate não era ruim não, mas não é comida, né? Naquela correria não tive tempo de parar em nenhum restaurante pra jantar ou fazer um lanche...mas no avião recebemos jantar! :D

Rydi disse...

Oi Lua, nós sofremos bem mais porque vamos para bem longe. Já passei por vários sufocos em aeroportos. Vc foi sortuda mesmo :), espero que encontrem suas malas.

Simone Westerduin disse...

Vi esse caos pela tv. Fico me imaginando nessa situação. Acho que não teria toda essa sua garra, ia sentar e chorar viu.rs

que bom que deu tudo certo.

beijao

Anônimo disse...

Hey, I am checking this blog using the phone and this appears to be kind of odd. Thought you'd wish to know. This is a great write-up nevertheless, did not mess that up.

- David

Anônimo disse...

ols
comçei a ler seu blog a pouco tempo e queria saber
na suecia se fala ingles ou sueco?
espero que possa me responder
obrigada