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domingo, 18 de dezembro de 2011

Coisas do natal sueco...

Falta menos de uma semana para o natal e parece que eu finalmente entrei no espírito natalino. Na Suécia o natal é uma época muito especial, talvez porque as festividades facilitam a passagem do inverno, traz muita luz à cidade e às casas. Faz com que a escuridão e o frio sejam mais fáceis de aceitar, afinal  luz de velas não combina com o verão, certo?

A Suécia tem também muitas tradições natalinas, algumas que começam logo em meados de novembro, junto com as decorações. Muitas delas são comidas típicas suecas de natal, mas não tanto comida para a ceia, mas sim para a época do natal. Eu não sei se sou muito desligada, mas eu tenho a impressão que no Brasil não temos algo do tipo, ou temos? Me corrijam se eu estiver errada...

Algumas das tradições já contei uma vez, dois anos atrás nesse post: http://mundodalua88.blogspot.com/2009/12/tradicoes-natalinas.html


Nesse post antigo eu contei sobre o "glögg" e sobre "pepparkaka". Mas uma outra comida típica natalina é o "lussekatt" que é um pão de açafrão. 



 Esse pão doce é típico durante a comemoração do dia de Santa Lucia, no dia 13 de dezembro, mas mesmo um pouco antes e depois dessa data é comum se comer lussekatt em toda a Suécia.

Geralmente o pão é feito nesse formato da foto, em um "S", e em cada "rolinho" se coloca uma uva passa. Ele tem uma cor e cheiro muito característico, devido ao açafrão, que é um dos ingredientes mais importantes quando se faz "lussekatt".

Conta a lenda que o pão vem da Alemanha, desde o século 17, e que havia uma crença de que Lúcifer (o diabo) disfarçado de gato - por isso o nome "lusse" de lúcifer e "katt" de gato - castigava as crianças e que Jesus no corpo de uma criança distribuía o pão doce às crianças bondosas. Segundo a lenda também, a cor amarela do pão representa a luz, para afastar os espíritos ruins.


 Quem quiser fazer o pão doce, segue aqui a receita:

Ingredientes: (para 30 pães)

* 720 g de farinha de trigo
* 300 ml de leite
* 100 g de açúcar
* 1 ovo
* meia colher de chá de sal
* 25 g de fermento
* 1 pacotinho de açafrão  (0,5g)
* 60 uvas passas
* 1 ovo para "pincelar" (?) em cima do pão

Modo de fazer:

1. Derreta a manteiga em uma panela e em seguida despeje sobre o leite. Deixe-a esfriar até 37 graus e coloque em um liquidificador. Adicione o fermento e mexa até que ele se dissolva. Adicione o açafrão, sal, açúcar e ovos.

2. Misture metade da farinha. Em seguida, adicione o resto da farinha até a massa ficar mais grossa.
3. Amasse a massa por 15 minutos. Em seguida, deixe a massa descansar, à temperatura ambiente, coberto com uma toalha, por 30 minutos.

4. Corte a massa em pedaços de cerca de 60 gramas. Faça primeiro bolinhas, e em seguida rolos. Deixe-os descansar por um minuto.

5. Role os pedaços em formas retangulares, cerca de 30 centímetros de comprimento. Molde-as como "lussekatter", enrolando em forma de S. Use farinha se a massa estiver grudando. 

6. Coloque pães em uma assadeira com papel manteiga. Pressione passas em cada extremidade.

7. Cubra os pães com uma toalha e deixe-os descansar por cerca de 45-60 minutos. Os pães irão crescer o dobro do seu tamanho. Pré-aqueça o forno a 230 graus. Quebre o outro ovo em um copo e misture.

8. Pincele o ovo por cima dos pães e asse-os por cerca de 6 minutos. Eles devem ficar brilhantes.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um beijo e um abraço?


Eu já moro na Suécia há três anos e meio - é, o tempo passa MUITO rápido - mas ainda tem certas coisas que me surpreendem no comportamento das pessoas.

Que pessoas estranhas se cumprimentam com um aperto de mão (ao mesmo tempo em que dizem seu nome) e não com um beijo e um abraço, isso eu já estou acostumada faz tempo. Tanto é que já até cometi a gafe de fazer isso no Brasil e receber olhares desconfiados: "qual é o problema dessa menina?" devem pensar!

Mas e quando você conhece a pessoa há semanas? E quando você vai se despedir de alguém que você conhece mais ou menos bem e sabe que não vai vê-la nas próximas semanas? Você abraça? Dá um aperto de mão? Ou você se inclina pra trás e dá um tchauzinho meio sem graça? 


Acredite ou não...tem sueco que opta pelo última alternativa! Tá, desculpa eu ser assim tão crítica, mas certas coisas são mesmo esquisitas e pronto!  

Devo deixar claro que nem todo mundo é assim...minha amigas mais próximas da faculdade são super fofas e sempre me cumprimentam com um abraço. Hoje foi nossa última aula antes do recesso de natal e uma menina que eu gosto bastante mas não sou tão próxima assim me viu e disso "ah, deixa eu te dar um abraço de despedida, você é tão fofa, feliz natal!" Fiquei super feliz e ao mesmo tempo surpresa. O curioso é que tinha mais duas pessoas ao lado dela - da minha sala também - que só sorriram e me desejaram boas férias...

Eu não levo pro lado pessoal, e se acontecer com você, também não leve. É assim mesmo, pra muitos suecos um abraço é realmente algo íntimo só para os mais próximos, às vezes nem para eles!

Portanto se alguém te "negar" um abraço (o que já me aconteceu algumas vezes), não fique chateado, nem ache que é só com você. Por outro lado, se alguém te abraçar saiba que é um bom sinal!

Na dúvida: sorria! Esse sempre funciona e é sempre bem-vindo! 
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Viver na Suécia no inverno é...

...sair de casa quando o sol está nascendo (apesar de ser 8 da manhã) e voltar quando o sol já se pôs.

...colocar luva, meia de lã, bota, casaco grosso, 3 voltas de cachecol no pescoço e gorro pra sair de casa e perceber que você ainda está com frio.


...se preparar pra dormir, colocar o pijama e perceber que só são 20:30h!


...andar quase correndo, não porque você está com pressa, mas pra esquentar seu corpo!


....pegar o bonde/ônibus/metrô pra andar só uma estação, porque seus dedos estão congelando.


...pendurar reflexos na sua bolsa ou casaco (ou nos dois) pra que os motoristas percebam que tem alguém atravessando a rua no meio da escuridão.


...andar com uma garrafa térmica com café na bolsa pra não adormecer no meio do dia.



Nem sempre o inverno é fácil! Mas não se esqueçam que depois dele sempre vem a primavera, com luz, flores e cores!

Eu de volta!

Oi Gente! Faz tempo, eu sei...Tenho um monte de coisas pra escrever, vou ver se faço uma lista de tudo pra não esquecer! O inverno chegou, Eric e eu fomos para Edimburgo, eu fiz aniversário...tenho tido trabalho por cima de trabalho na faculdade...

Fico muito feliz de receber recados e emails dos que lêem meu blog, na verdade se não fosse por todo o "feedback" positivo que eu recebo de vocês eu provavelmente já teria largado o blog! hehe
Queria também pedir que vocês mandassem perguntas por email (luadandararangel@hotmail.com), porque eu vejo quando deixam comentários em posts antigos, mas eu acabo esquecendo em qual foi e a pergunta se perde pelo blog. No meu email eu tenho uma pasta separada só pra emails relacionados ao blog, onde eu posso organizar o que eu já respondi ou não. 

Adoro poder ajudar com o que eu sei, mas também lembrem-se que não sou expert sobre a Suécia, e muitas coisas eu não sei como funcionam ou o que eu conto vai muito da experiência que eu tive, ou seja, nem sempre será igual pra todo mundo ou ás vezes o sistema pelo qual eu passei já pode ter mudado.

Um dos posts em que eu mais recebo comentários, é sobre o sistema de educação sueco. Algumas regras mudaram desde o ano passado, uma delas é relacionada à estudantes estrangeiros sem visto e sem cidadania européia. Se alguém estiver com dúvidas ou precisando de ajuda, me mande um email que ajudarei no que for possível. 

/Lua.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ahhh...a Itália!!!!

Faz dias que voltei da Itália mas tenho estado tão ocupada com a univesidade que mal tive tempo pra sentar na frente do meu computador e escrever contando da minha viagem...

Foram 4 dias maravilhosos, que passaram rápido demais. A Itália era tudo o que eu esperava e um pouco mais. Talvez um pouco mais fria do que eu gostaria, mas afinal de contas, nós visitamos o norte da Itália então eu talvez não deva reclamar muito.


Viajei com 9 mulheres brasileiras, então já imaginam a farra e a atenção que 10 mulheres atraíam... Logo na primeira noite quando saímos pra jantar ganhamos vinho, grapa, uvas e cogumelos deliciosos como cortesia das nossas mesas vizinhas. Ficou logo bem claro que não estávamos na Suécia, porque sinceramente...isso NUNCA aconteceria na Suécia, especialmente a atenção descarada que os italianos dão às mulheres.


Ficamos hospedadas em um hotel em Milão, mas também visitamos Veneza e Lago di Como. Então começando a contar resumidamente sobre Milão: a cidade me surpreendeu! Provavelmente porque eu tinha ouvido falar muito "mal" sobre a cidade, todo mundo dizia que é uma cidade chata pra turistas, que é a São Paulo (ou Frankfurt?! Desculpem-me os paulistanos) da Itália, onde só se vai pra fazer negócios mas não pra passear. Mas sinceramente, Milão é uma cidade linda! É limpa, muitos prédios antigos muito bem preservados, parques, cultura, lojas pra todos os gostos e ótimos restaurantes e bares. 


Pra quem quer fazer compras é um prato cheio, mas mesmo pra quem só quer caminhar e conhecer, também vale a pena. Um dos pontos altos da cidade é a Catedral Duomo de Milão, que fica ao lado de uma das galerias mais famosas da cidade, a Galleria Vittorio Emanuele II, que também merece uma visita mesmo que seja só por sua arquitetura belíssima. É em Milão também onde está pintada a "Última ceia" de Leonardo Da Vinci, mas infelizmente não pudemos vê-la já que era preciso fazer reservas com até 2 meses (!!!) de antecedência pra poder entrar no monastério onde ela foi pintada na parede...


No dia seguinte partimos cedo com o trem das 07:25 para Veneza. Uma dica é que o trem desse horário de ida e o de volta às 17:00 horas custam apenas 17 euros, trecho Milão - Veneza. Mas talvez o ideal mesmo seja ir cedo e voltar no da tarde do dia seguinte e passar a noite em Veneza pra curtir um pouco mais. Nós tínhamos a agenda cheia portanto só passamos umas 6 horas em Veneza, já que a viagem de trem demora em torno de 3 horas e meia.

Veneza é uma cidade como nenhuma outra que eu já conheci. Ao invés de ônibus as pessoas usam barcos, não se vê um pedaço de grama e árvores são raras e acho que existem pelo menos 10 vezes mais turistas do que moradores da cidade. Nós fomos no que eu imagino ser uma das baixas estações e mesmo assim, em certas partes mal se conseguia caminhar de tanta gente. Na parte bem turística da cidade parece que tudo é voltado 100% aos visitantes.


A impressão que dá é que só existem restaurantes italianos (com menus que vão do português ao japonês) e lojas de souvenirs com máscaras venezianas. Por sorte, antes do nosso dia acabar, quando alguma das meninas já estavam cansadas de andar, uma amiga quis ir comigo passear por algumas ruazinhas próximas à estação central. Foi uma caminhada de mais ou menos 1 hora, mas que aproveitei muito melhor que as anteriores. A área que conhecemos era tão linda quanto a parte turística, com a diferença que estava completamente vazia. Se via uma ou outra pessoa passando, mas a gente pode tirar fotos das pontes, casas, barcos...tudo sem um monte de cabeças na frente!


Outra dica sobre Veneza é que se você for passar poucas horas nem sempre vale a pena comprar o bilhete de barco...talvez só de ida, porque na verdade dá pra ir caminhando pra todo lado e o bilhete de barco pra 12 horas é bem salgado (16 euros). Também não passeamos de gôndola, porque custava 80 EUROS (!!!!) por pessoa, 50 minutos. Aliás, Veneza num geral é uma cidade muito, muito, muito cara! Um café "americano", como eles chamam, que é um café comum, numa cafeteria bem normalzinha (leia-se "nada de especial") me custou 4 euros. No almoço comi spaguetti com molho de tomate e manjericão e legumes grelhados, em um restaurante também bem "average", só que bem no centro de Veneza, por 18 euros. Mas tudo bem, era apenas um dia, e um dia bem especial. E se tem uma coisa boa na Itália é a comida. Não comi nada que não fosse delicioso.


No último dia fomos de trem para Lago di Como, que fica ao norte de Milão, apenas 1 hora de viagem. A passagem custou apenas 4,45 euros por trecho, num trem super moderno e confortável. A cidade é pequena e fica à beira do famoso Lago Como, é muito charmosa, com uma quantidade bem menor de turistas, preços bem mais camaradas e com muita beleza pra oferecer. O que mais valeu a pena mesmo foi um passeio de 30 minutos de barco pelo lago, por apenas 5 euros. A paisagem é de tirar o fôlego e ficou ainda mais especial com as cores do outono. Super recomendo!

Terminamos o dia de volta à Milão, com uma parada rápida na loja Solaris onde se encontra óculos das marcas mais famosas com um ótimo preço e garantia de qualidade e autenticidade. Depois fomos à um bar em Porta Ticinese, uma rua cheia de barzinhos à beira de um canal, o lugar tinha um buffet maravilhoso, música ao vivo e ótimos drinks por um preço razoável.


Pra resumir, foi uma viagem para todos os gostos! Muita coisa pra se ver, comer, beber, tirar fotos...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pra sobreviver ao outono!

Existe um expressão famosa em sueco que diz: "Det finns inte dåligt väder, bara dåliga kläder", que significa: "Não existe tem ruim, só roupas ruins". Se isso é mesmo verdade, bom, vai de cada um. De vez em quando aparecem tempestades terríveis em que roupa nenhuma dá conta!

De vez em quando recebo perguntas sobre como é o outono, clima e etc. Pessoalmente, eu adoro o outono. Acho gostoso o clima mais frio, as folhas mudando de cor e caindo, os dias de chuva... A temperatura varia muito mesmo. No outono tudo é possível, 15 graus com sol ou 3 graus e muita chuva e vento. Algumas noites chegando à 0.


Eu não sei bem como funciona, mas durante o outono é muito comum o tempo mudar drasticamente e uma tempestade  se formar pelo encontro de pressões diferentes no ar e coisas assim. Em Gotemburgo já é bem conhecido que o outono é época de muito vento e chuva.

Pra poder aproveitar a cidade mesmo assim, sendo à passeio ou mesmo porque você precisa sair de casa pro trabalho, faculdade ou escola, é preciso certas precauções. Afinal, você não quer ficar ensopada e morrendo de frio, certo?

Indispensável para um gotemburguense:

* Capa de chuva: O modelo, cor e etc depende do gosto de cada um, mas o importante é que seja realmente à prova d'agua, de preferência que proteja bem do vento, comprida pra cobrir boa parte do corpo e com forro por dentro pra te manter aquecida(o).


 * Guarda-chuva: Eu raramente saio de casa sem meu guarda-chuva na bolsa! Indispensável.

 * Bota de galocha: Acho que quase todo gotemburguense tem pelo menos uma bota de chuva de borracha. O ideal são as de cano alto, no caso de você pisar numa poça d'agua... Além do mais, são fáceis de limpar. É bom comprar um pouco grande pra que você possa usar com uma meia grossa por baixo caso esteja bem frio.




 Sem desculpas pra não poder sair de casa!!! Vou indo me arrumar que jájá estou indo viajar! Volto em breve!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Só na Suécia...

Já perceberam que está virando comum eu escrever posts chamados "só na Suécia..."? Acho particularmente que descreve bem a minha intenção, porque "vira-e-mexe" eu me deparo com situações bizarras em que eu penso: "Só podia ser na Suécia mesmo pra isso acontecer..."


Uma delas recentemente foi uma reportagem que na verdade li no globo.com em que um alce invadiu um asilo de idosos em Alingsås, cidade que fica aproximadamente 30 minutos de trem de Gotemburgo. O alce quebrou um vidro e entrou na casa, perdido e/ou perturbado! Ele foi trancado num dos quartos e depois de um veterinário examiná-lo ele foi solto de volta à natureza. Os velhinhos foram levados para um outro local e ninguém se feriu, afinal alces são geralmente animais inofencivos. 



Nessa horas eu fico pensando que realmente a polícia sueca tem muito pouco o que fazer...hehehe.