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sábado, 8 de maio de 2010

Celebrando a primavera com as vacas!

Peço desculpas pelo meu sumiço, mas peguei a pior gripe da minha vida, e estava sem nenhuma vontade de escrever... Bom, ainda estou bem gripada, só que mais animada!


Hoje passei o dia fora, minha mãe (bom, meu pai também!) ía me matar se estivesse aqui e soubesse que fiquei um tempão do lado de fora no frio e na chuva, com o nariz escorrendo e dor de garganta! haha... Mas eu estava bem agasalhada e com guarda-chuva, ok? E também foi por um bom motivo...Apesar de hoje não ter sido um dia lá muito bonito, foi bem divertido, e Eric e eu queríamos assistir o famoso "ko betessläpp" de uma das fazendas da Arla! Hãnh? Não entenderam? Eu explico do começo...

Na Suécia tudo o que é "ecológico", ou seja, produtos que não maltratam a natureza durante sua fabricação, é muito bem visto, portanto marcas como a Arla, uma marca de laticínios sueca, faz questão de manter uma boa imagem e produzir leite, manteiga, iogurte e outros ecológicos. (Claro que nem todos os produtos levam o selo de ecológico).

E no quesito "leite ecológico" se considera que as vacas que produzem o leite vendido, sejam de vacas que são criadas em fazenda e livres, ou seja, não ficam a vida inteira confinadas num cubículo escuro e fedido. Afinal, todos temos a necessidade de respirar ar puro e poder caminhar livremente! Claro que com o inverno sueco não é possível que elas fiquem lá do lado de fora congelando todo o leite...então elas ficam nos estábulos todo o inverno...Mas quando a primavera chega, não são só as pessoas que ficam felizes, as vacas também são "libertadas" e podem correr e saborear a nova estação...mas elas ficam TÃO felizes que se tornou um evento na Suécia inteira assisti-las saindo do estábulo. E é isso que significa "ko betessläpp" e o que o Eric, meu sogro, a namorada dele, minha cunhada e eu fomos assistir essa manhã!
Pra começar eu não imaginava que teriam 4 mil pessoas no local! Todos tinham direito também a tomar leite (ecológico, lógico!) e um bolinho de canela...uma delícia!E quando finalmente as vacas foram soltas, foi bem divertido! Elas saem pulando e correndo, parecem crianças gritando "êÊêÊ!!! Finalmente!!!"

A idéia é trazer as pessoas mais próximas à natureza e também compartilhar esse momento tão interessante e especial!

Fiz alguns vídeos e vou colocar aqui o mais curto pra dar uma idéia:



Achei no youtube essa propaganda do evento: http://www.youtube.com/watch?v=VWeb-4W7d7M&feature=related

Saí de lá pensando: "Como que alguém que vem aqui assistir isso tem coragem de chegar em casa e ir comer carne???"

...

Depois fomos almoçar num restaurante indiano, onde as vaquinhas são sagradas!!! Eu espero pelo dia em que comer carne seja tão errado quanto comprar casacos de pele! (hohoho)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vídeo: Bella em Hällinsjö

Fomos visitar nosso amigo Tomas na fazenda do pai dele em Hällinsjö, 20 minutos de onde moramos. Bella encontrou com a cachorra deles que é uma schnauzer idosa, já meio cega e meio surda...e também com o Billy, um collie de 1 ano que estava com os donos visitando os pais do nosso amigo...

Bella correu até cansar e se divertiu muito!

Esse é o vídeo de quando tinhamos acabado de chegar, ela ainda estava tímida e meio assustada.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vida selvagem


Uma das coisas interesantes de se morar na Suécia é o contato com a natureza! Claro, se você morar no centro de Estocolmo você não vai ver muita coisa, mas no meu caso que moro fora de Gotemburgo, quase no "interior" (hehe, não exatamente), vivo vendo animais selvagens.

Já perdi as contas de quantas vezes eu vi veados na floresta, ou até mesmo no quintal da minha casa, roubando as frutas das árvores... Patos e cisnes são também bem comuns. Já vi lebre selvagem do lado de fora de um hospital, ou atravessando a estrada.


Aqui só existe 1 tipo de cobra que é venenosa, e numa mesma semana, 2 meses atrás, vi 3! Sendo que o Eric que sempre morou aqui nunca tinha visto antes...

O mais fofo de todos que já vi é porco-espinho!!! É muito lindo! Aqui eles são diferentes, um tanto quanto inofensivos. Na verdade, eles são tão medrosos que quando vêem alguém eles ficam imóveis tremendo muito. Dá até pena de olhar pra eles!



O único que ainda não tive a sorte ou azar de encontrar foi alce! Todo mundo diz que são super comuns, que estão por toda a Suécia, mas eu nunca vi! Ainda!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ode ao gato

ODE AO GATO - Arthur da Távola


"Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso.
Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos.
O só pedir a quem amam.
O só amar a quem os merece.
O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência,obediência.
O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor.
Só as saudáveis.
Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observaçãode alguns anos me deu.
Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado?
Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor?
Quem sabe São Franciscode Assis não está por trás do Mago Merlin,
soprando-me o artigo?
Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo,
obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não!
Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo.
O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentilezade ganhar a vida por ele.
O leão e o tigre se amesquinham na jaula.
Gato não.

Ele só aceita uma relação de independência e afeto.
E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente,
é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso.
"Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto comtroca e respeito pela individualidade.
O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor.
Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte.
Sábio,é espelho.
O gato é zen.
O gato é Tao.
Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação.
Nada pede a quem não o quer.
Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se.
Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.
Sim, o gato não pede amor.
Nem depende dele.
Mas, quando o sente, é capaz de amar muito.
Discretamente, porém sem derramar-se.

O gato é um italiano educado na Inglaterra.
Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconscientenão transa o gato.
Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério.
O gato não se relaciona com a aparência do homem.
Ele vê além, por dentro e pelo avesso.
Relaciona-se com a essência.

Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis(mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe.
E se defende do afago.
A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver.
Por isso, quando surge nele um ato de entrega,de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado.
É um gesto de confiança que honra quem o recebe,pois significa um julgamento.

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem.
Se há desarmonia real ou latente, o gato sente.
Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós).
Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos,ele se afasta.
Nada diz, não reclama.
Afasta-se.
Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali.
Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo.
Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca)sabemos traduzir.

O gato vê mais e vê dentro e além de nós.
Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores.
O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo.
É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção,silêncio e mistério.
O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge,a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremoso caminho na sua busca, em vez de o querer preparado,já conhecido e trilhado.

O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante,à certeza de que cada segundo contém a possibilidadede criatividade e de novas inter-relações, infinitas,entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel.
Suas manifestações são íntimas e profundas.
Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Desatentos não agradam os gatos.
Bulhosos os irritam.
Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação.
Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.

Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene)a si mesmo como o gato!
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga.
Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos.
Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata.
Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato,os jogadores reservas não levariam tanto tempo ( quase 15 minutos)se aquecendo para entrar em campo.
O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo.
Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada partedo seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.

Lição de saúde sexual e sensualidade.
Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias.
Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal.
Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular.
Lição de salto.
Lição de silêncio.
Lição de descanso.
Lição de introversão.
Lição de contato com o mistério,com o escuro, com a sombra.
Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte.
Lição de bom gosto e senso de oportunidade.
Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa,educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.

O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem."

Artur da Távola
Uma singela demonstração da minha admiração pelos gatos, em especial, minha eternamente querida, Cléo. E também a amarela e serelepe Millie, que não conheço mas amo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Amor animal


Quando eu era criança, eu queria muito ser veterinária. Sempre fui apaixonada por animais. Mas ainda nessa época, ao levar minha gatinha pra tirar sangue e ver aquela seringa se enchendo, passei mal e vi que eu não tinha estômago algum pra esse tipo de profissão.
No entanto, meu respeito e amor pelos animais nunca mudou.
Eu me pergunto, o que passa pela cabeça das pessoas que sentem prazer ao maltratar animais?
Por que será que é tão difícil ter respeito por criaturas que têm tantos direitos quanto nós?
Ás vezes eu vejo que o homem é muito mais "animal" do que os outros seres que o mesmo despreza. É tão visível a inteligência deles, e a ignorância nossa.


Há uma semana assisti pela 2ª vez o documentário brasileiro "A carne é fraca". O filme é muito chocante, mas bem realista, me fez abrir os olhos e tomar uma decisão: virar vegetariana.
Confesso que não tem sido fácil, já tive algumas provações, como ir numa festa e não poder comer apetitosos salgadinhos...mas isso me lembra (em algum nível) quando eu parei de beber refrigerante 5 anos atrás. Os primeiros 3 meses foram difíceis já que eu era tão acostumada e até meio viciada. Mas adoro o fato de ter conseguido manter a idéia.


Ainda existe muito preconceito em dizer que não se come carne, já que é algo tão comum e cultuado. Mas pouco a pouco essa imagem vem mudando e sendo mais aceita e respeitada.

Meu namorado é vegetariano, por isso acabei me acostumando com carne de soja e afins, mesmo bem antes dessa decisão. E também assim é mais uma ajuda pra eu manter minha força de vontade.


Bom, não quero ficar criticando nem julgando ninguém, afinal eu mesma já comi carne atééé! E sem contar que, e se um dia desses eu fraquejar e voltar a comer? nunca se sabe...eu espero que não!!

Fica a dica do documentário, quem quiser ver é só clicar no nome ali em cima que já abre o link direto. Está na íntegra.


Fotos: Billy, Cléo e Rebeca, Millie e Eric.
Trilha: Cat Stevens!