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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Funeral sueco

Dentre algumas das tradições suecas diferentes, o funeral sueco deve ser (para nós, brasileiros) a mais estranha. E vocês já vão entender o porquê.
Eu já sabia um pouco sobre o assunto, e sempre quis escrever sobre isso, e como na semana passada fui em um funeral aqui e pude aprender mais, quis compartilhar. (O funeral foi da tia-avó do Eric, que eu nunca cheguei a conhecer pessoalmente).


Todas as pessoas que pagam impostos na Suécia, pagam também o chamado "begravningsskatt" que significa "imposto de funeral". Ou seja, quando uma pessoa morre, a família não precisa pagar pelo caixão, ou pelo enterro, cerimônia...nada. Imagino que as flores talvez seja a família que pague.

O mais curioso, no entanto, é que quando uma pessoa morre na Suécia, ela não é enterrada no próximo dia, na maioria dos casos o funeral acontece 3 semanas depois do falecimento, algumas vezes podendo ser até mesmo um mês e meio depois! Durante esse tempo o corpo fica no necrotério do hospital, dentro de uma geladeira, o que também é pago com o imposto.

Dessa maneira, a família tem bastante tempo pra aceitar a morte da pessoa, organizar a cerimônia de despedida, e familiares e amigos que moram distante têm tempo de vir para a Suécia e participar da cerimônia. Muitas vezes a família coloca um anúncio no jornal, avisando do falecimento e quando será o velório e pedem que aqueles que queiram comparecer avisem para a família que está organizando a cerimônia.

No dia do funeral, a cerimônia costuma ser realizada dentro de uma capela ou igreja, por um padre. O caixão fica fechado o tempo todo, e se a família quiser ver a pessoa falecida, isso acontece antes da cerimônia começar e normalmente apenas para as pessoas mais próximas.
Usar preto já não é mais regra, mas as pessoas costumam se vestir bem, com roupas sérias e escuras ou de cores que não chamem atenção. É normal que as pessoas, principalmente mulheres, levem uma flor (uma rosa ou lírio), e no final da cerimônia as pessoas podem se aproximar do caixão para se despedir, e aqueles que tem uma flor deixam em cima do caixão.
Uma coisa curiosa que eu achei é que as pessoas depois de se aproximarem do caixão fazem uma reverência, os homem abaixam a cabeça e as mulheres dobram os joelhos, em respeito à pessoa que faleceu.


A cerimônia acaba e as pessoas deixam a igreja. O caixão fica na igreja, pois tanto se o caixão for ser cremado quanto enterrado, não parece ser comum que os convidados assistam.

Normalmente a família faz uma recepção para os convidados, ou com um almoço leve ou café/chá com bolo e biscoitos. Como na maioria das reuniões suecas, as pessoas não costumam ficar muito tempo, acho que geralmente depois de 2 horas todo mundo já comeu, conversou, se abraçou e foi embora.

Eu particularmente gosto da versão sueca, acho que faz sentido se organizar, não precisar fazer tudo correndo, a família tem tempo de entender melhor o que aconteceu... É mais uma coisa que eu diria que é bem sueca.

E vocês, o que acharam?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Biscoitos diferentes!

Já faz quase 2 meses que passou meu aniversário, e desde então estou devendo para minhas amigas brasileiras (que moram em Gotemburgo) as receitas dos biscoitos que fiz. Portanto resolvi escrever logo, antes tarde do que nunca! (Confesso que tenho um péssimo hábito de esquecer coisas que prometo!)


Bom, no meu aniversário não quis fazer nenhuma festa, apenas um almoço com bolo de sobremesa, mas sem fazer o de sempre: beijinhos e brigadeiro.

E encontrei duas receitas deliciosas e relativamente fáceis! A primeira é "Biscoitos secos de amêndoas": (Só que na verdade quem fez esses pra mim no meu aniversário foi minha amiga Patrícia).

Ingredientes:
* 250 g de farinha de trigo
* 300 g de açúcar (eu sempre coloco metade: 150g)
* 125 g de amêndoas com pele tostadas
* 2 ovos
* 1 colher de café de fermento em pó
* 1 g de vanilina (ou 4 gotas de essência de baunilha: eu uso uma colher pequena de açúcar de baunilha )
* sal
* 200 g de chocolate em barra meio amargo (60% ou 70% de cacao)
* manteiga e farinha trigo para untar

Modo de fazer:

1- Coloque a farinha sobre a mesa de trabalho num monte juntamente com a vanilina e o fermento, acrescente o açúcar e uma pitada de sal. Despeje no centro os ovos e misture até obter um composto firme e uniforme. Incorpore as amêndoas, inteiras' e com pele, e misture com cuidado. (Eu prefiro colocar numa vasilha grande, e triturar as amêndoas com uma faca antes de misturar).

2- Forme com a massa um pão de cerca de 5 cm de largura e disponha-o sobre a assadeira, untada com manteiga e farinha. Asse em forno pré-aquecido a 180°C por 40 minutos, retire do forno e deixe esfriar.

3- Ponha o pão assado sobre a tábua de corte e, com o auxílio de uma faca molhada, corte-o em fatias de maneira a obter bastões regulares de 1 cm de espessura. Eu acho que o biscoito já é seco o suficiente, então prefiro não colocar de novo no forno, mas quem quiser pode como consta na receita: (Coloque as fatias na assadeira e leve-a novamente ao forno. Depois de 5 minutos, vire as fatias e deixe secar bem por 5 minutos. Retire-as do forno e deixe esfriar completamente.)

4- Numa panela pequena, esquente o chocolate (em banho-maria). Quando estiver completamente derretido, mergulhe os biscoitos até a metade, um por um. Assim que estiverem banhados, coloque-os sobre uma folha de papel-manteiga, distantes uns dos outros, até que o chocolate solidifique. Disponha os biscoitos, frios, no prato de servir e leve-o à mesa. (Os chocolates no Brasil têm uma certa dificuldade para derreter completamente, então compre um chocolate feito pra esse tipo de receita.)

O resultado foi esse da foto, e posso dizer que ficou mesmo uma delícia!

A segunda receita eu já conheço melhor e já fiz várias vezes, porque costuma fazer sucesso! São "Meias-luas de coco":

Ingredientes:
* 300g de farinha de trigo
* 200g de manteiga, temperatura ambiente
* 200g de chocolate branco em barra
* 120g de açúcar (eu uso 60g)
* 120g de côco ralado
* 2 gemas
* sal


Modo de fazer:

1- Numa tigela, bata a manteiga até ficar bem cremosa, acrescente o açúcar aos poucos. (Eu derreto a manteiga numa frigideira). Adicione as gemas e transfira o composto obtido para uma vasilha em que estão misturados a farinha com 100g de coco ralado e uma pitada de sal.

2- Misture bem os ingredientes até obter uma massa homogênea, enrole-a em filme plástico e deixe-a repousar na geladeira por pelo menos 1 hora.

3- Depois desse tempo, faça com a massa bolinhas do tamanho de uma noz e enrole-as sobre a mesa para formar bastões de 5 cm de comprimento. Dobre as duas pontas do bastão em forma de ferradura para fazer as meias-luas e coloque-as na assadeira forrada com papel-manteiga. (Essa é a parte mais difícil, porque o coco faz com que a massa fique muito quebradi
ça, mas amassando bem dá certo!).

4- Asse-as em forno pré-aquecido a 180ºC por 25 minutos, retire-as do forno e deixe esfriar. Enquanto isso, derreta o chocolate branco em banho-maria em fogo baixo, até formar um creme. Quando as meias-luas estiverem frias, passe as duas extremidades primeiro no chocolate derretido e, em seguida, no coco ralado restante.


Resultando em meias-luas (ou ferraduras) que parecem assim:

As duas receitas são do livro "Docinhos e biscoitos" da coleção "A Grande Cozinha" da Editora Abril.

Combinam muito com um café quentinho! Receitas simples, pra quebrar a rotina!

Gotemburgo

Esse ano a empresa de energia de Gotemburgo investiu bastante para conquistar seu público, e provavelmente está conseguindo. Eles contrataram um cantor sueco, Timo Räisänen (que é Gotemburguense) para compor uma música sobre a cidade, e a idéia da propaganda é que a energia produzida vai apenas para Gotemburgo e não para outras cidades da Suécia, gerando assim um grande espírito patriota.

O resultado realmente ficou ótimo, a música é agradável e as imagens do clipe da propaganda são lindas, assim como os pôsters espalhados pela cidade!

Aqui vai um vídeo do youtube com a música, que se chama "Aldrig långt bort", "Nunca distante". Eu adorei por isso quis dividir! Aproveitem também as imagens dessa cidade, que na minha opinião é linda!

http://www.youtube.com/watch?v=TPm8uhQ_8qI&feature=related

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Confissões de duas malas extraviadas!

Como eu contei no post sobre o caos aéreo, cheguei no Brasil sem nenhuma das minhas malas, "sem lenço nem documento". Foi só então que percebi o quanto a gente (ou pelo menos eu) subestima o valor e a necessidade das coisas que trazemos numa mala. Quando eu estava aqui na minha casa na Suécia e fazia minhas malas, parecia uma coisa tão óbvia que simplesmente tudo que eu estava colocando ali dentro chegaria junto comigo ao Brasil.

Cheguei em São Paulo em cima da hora para o meu próximo vôo e quando fui fazer a reclamação das bagagens extraviadas com a Lufthansa fui informada que eu deveria abrir meu processo com a Tam, já que meu destino final seria Porto Velho. Tudo bem, cheguei às 16:30 horas, mas o guiche da Tam já havia fechado. Voltei às 22:30 horas para preencher o formulário de que minhas malas estavam extraviadas e que fossem mandadas para o meu endereço das próximas 2 semanas.

E com um pequeno detalhe: eu cheguei com a roupa do corpo sem nada além do meu computador e meus documentos, de calça, bota, blusa de manga comprida... Mesmo morta de cansada fui ao shopping comprar algumas coisas básicas pra que eu pudesse usar nos próximos dias sem mala, que eu esperava que fossem bem poucos!

Passou segunda, terça, quarta... Eu ligava para a Tam e eles diziam que a Lufthansa deveria entregar as malas para eles, já quando eu ligava para a Lufthansa, ficava sabendo que a responsabilidade era da Tam, já que o processo havia sido aberto com eles e não seria a Lufthansa a rastrear minha bagagem. A única informação que eu recebia, se ao menos isso, era de que as minhas malas ainda não haviam sido encontradas! Imagina meu desespero, até onde eu sabia, minhas malas podiam estar em Frankfurt, ou em Paris, ou em outra cidade européia, ou não, estariam em um universo paralelo? Como assim duas malas entram num aeroporto e não são registradas? Que tipo de sistema será que eles usam?

Nas minhas malas não vinham apenas roupas, dentro delas haviam muitos presentes, toalha de mesa para o natal, enfeites de natal (que eu falei pra minha mãe não comprar, já que eu traria), um álbum especial que fiz para os meus pais, a roupa que eu usaria no natal, inclusive uma das malas em si era um dos presentes para a minha irmã, comidas vegetarianas para mim e tantas outras coisas que somavam 38 kilos.


O desespero começou a bater, e o mais irritante de tudo isso são os espíritos de porco que a gente vai encontrando pelo caminho pra te dizer: "O pior é que as vezes eles nunca encontram, né??" ou "É capaz das malas chegarem aqui quando você já tiver voltado pra Suécia". Poxa, por que existe gente assim? Se não se tem nada bom pra dizer, é melhor ficar calado, certo?

Bom, meu pai acabou tomando minhas dores, e entrou em contato com um setor chamado "Fale com o presidente da Tam". Finalmente fomos bem atendidos, e por alguém que realmente parecia ir atrás do problema. Abrimos um protocolo e voltamos à esperar.

No sábado de manhã, 25 de dezembro, ligamos para saber se a Tam tinha notícias, e depois de muito insistir e pegar no pé, ficamos sabendo que as malas deveriam ter chegado no aeroporto de Porto Velho na madrugada de sexta para sábado, mas quando chegamos no aeroporto ninguém achou minhas malas. Cheguei realmente a achar que esse pesadelo nunca chegaria ao fim, e que talvez fosse possível que as malas tivessem sido roubadas em algum aeroporto.

No domingo meu pai já tinha ligado para Guarulhos e Cuiabá (onde as malas teriam feito escala) e ninguém estava com as malas. Ele foi então mais uma vez pessoalmente ao aeroporto. Um dos funcionários da Tam era inclusive meu amigo, e pediu que procurassem por malas que tivessem "Lua Dandara" escrito, mas pelo visto não tinha. Sem desistir, meu pai perguntou: "Não tem aí dentro uma mala cinza e uma vermelha???" Eles responderam que sim, mas que havia viajado com a Tap e não Lufthansa. Insistindo, meu pai disse: "Mas não será possível que as malas tenham viajado com outra companhia aérea?" Foi então que perguntaram: "Tem Rangel no nome dela??" É claro que tem!

Consegui recuperar minhas malas, mas não sem passar muito tempo no telefone, sendo algumas ligações interurbanas e internacionais, idas e vindas ao aeroporto, horas de preocupação e stress, noites mal dormidas, intensas reclamações com a Tam e muita paciência e esperança.

Com tudo isso eu levo de lição que eu devo marcar muito bem minhas malas, com fitas coloridas e com meu nome, endereço, telefone e email em lugares seguros que não caiam depois de uma longa viagem. De agora em diante, irei fotografar minhas malas, evitando o problema de eu não lembrar detalhes da aparência dela.


Por onde minha bagagem passou eu não sei, imagino que tenham vindo em caminhos separados, pois tinham datas diferentes e uma delas constava "Fortaleza". Se minhas malas falassem, provavelmente teriam muita coisa pra contar! Mas por enquanto, eu mantenho a minha versão da história!

Ps.: As fotos são do meu natal, pra alegrar um pouco o post! E a últma é a foto que tirei da minha mala na viagem de volta.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Coisas que se aprende depois de um caos internacional

- Mantenha-se informado (a), verifique sempre se seu vôo está confirmado/atrasado ou cancelado.
- Tenha seus documentos importantes e necessários num lugar separado, seguro e que facilmente possa pegar. Eu costumo usar uma pasta transparente, com os detalhes da passagem, o cartão de embarque e o passaporte juntos.
- No caso de cancelamento, caos e etc, muita calma nessa hora. No caso de atrasos e cancelamentos a empresa aérea tem obrigação de recolocar o passageiro em outro vôo e fornecer comida no caso de longos atrasos e acomodação em um hotel quando já é tarde da noite.
- Inglês é essencial, na hora de um caos é muito difícil haver tradutores nos balcões ajudando quem não consegue se comunicar.
- Priorize o que você tem que fazer. Na maioria das vezes, comer e ir ao banheiro, pode esperar.
- Mantenha-se concentrado (a) na sua missão: resolver seu problema, seja arrumando um hotel pra ir dormir, conseguir entrar em outro vôo que não tenha sido cancelado ou conseguir a mesma viagem de trem/ônibus (quando isso é possível).
- Acredite que você vai achar uma saída, pode ter certeza que sentar num canto e chorar não vai ajudar em nada. Respire fundo.


- Seja educado (a). Na Europa as coisas não funcionam no grito nem com barraco. Pelo contrário, você pode acabar entrando numa fria, sendo considerado suspeito e/ou perigoso, correndo risco de ser deportado.
- Seja objetivo, explique seu problema e a solução que você procura. Não fique reclamando de tudo e enchendo linguiça, provavelmente existem muitas outras pessoas passando pelo mesmo problema que você que também precisam de informações e ajuda.

Pra resumir, a chave do sucesso é mesmo ter calma e correr atrás do que se quer. Mas também, acho que isso se aplica em muitas situações nessa vida, não é mesmo?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Em terras escandinavas...E meu dia de caos!

Gente, estou viva! :)

Depois da minha viagem super "the-flash" ao Brasil, cheguei de volta à Suécia já em cima da hora para estudar para uma prova, então apesar de já estar de volta há quase 2 semanas, só agora tive tempo pra sentar e escrever. Ainda bem que a tal prova já passou, se fui bem ou não ainda não sei, mas por enquanto não vou me permitir ficar preocupada com isso.

Minha viagem pro Brasil não foi bem como planejada, mas também aprendi muito com os problemas que tive. Quem ligou a televisão nos noticiários na semana anterior ao natal deve ter visto a caos aéreo que estava na Europa por conta da neve... Adivinhem? Eu estava lá! haha E posso dizer uma coisa com certeza: ficar presa num aeroporto internacional o dia inteiro é um inferno! Não desejo pra ninguém o que eu passei.

Pra começar, na noite anterior à minha viagem, vi na internet que meu vôo com a KLM já estava cancelado! Fui para o aeroporto mesmo assim, cheguei lá às 04:30 da manhã e ao invés de fazer o trecho Gotemburgo - Amsterdam - São Paulo durando 15 horas, me recolocaram em outra rota, que seria Gotemburgo - Frankfurt - Paris - São Paulo... que duraria 26 HORAS!!! Incluindo 7 horas de espera no aeroporto de Frankfurt + 4 horas de espera no aeroporto de Paris. Até aí, tudo bem. Eu tinha um livro, meu laptop, ipod, celular... Às 07:40 saí de Gotemburgo e menos de 2 horas depois cheguei em Frankfurt.


Cheguei em Frankfurt e fiquei passeando pelos terminais do aeroporto, indo pra cima e pra baixo, tomei um café, usei o computador, liguei pro Eric, pros meus pais... Depois almocei e fui procurar meu portão para pegar o vôo para Paris. Mas 1 hora antes do vôo vem a notícia: o vôo foi cancelado! Nessa acabei encontrando outra brasileira, Bruna, um pouco mais nova que eu que estava na mesma situação. Juntas corremos atrás da Lufthansa para tentar pegar um outro vôo para Paris. Mas depois de conseguir passagens e esperar mais umas 2 horas, descobrimos que o outro vôo também havia sido cancelado, e que ninguém voaria para Paris aquela noite, tinha começado a nevar e o aeroporto Charles de Gaulle estava fechado. Já era quase 18:00 horas.


Bruna e eu tinhamos o mesmo destino, e as mesmas passagens, então fomos juntas tentar resolver o problema. Mas haviam milhares de outras pessoas com seus vôos também cancelados, e o aeroporto de Frankfurt, estava um caos completo.


Mas por algum motivo, um anjo apareceu ao lado da Bruna, com uma senha para sermos atendidas pelo ticket-office da Lufthansa, na frente de centenas outras pessoas. A senha era das 15:35 horas, já era mais de 18:00 e nosso número era 661. E estavam ainda no número 600!

Esperamos...esperamos...às 21:00 horas fomos finalmente atendidas, por uma alemã de mal humor que rapidamente disse: "Não estou mais remarcando passagens, vou colocar vocês num hotel". O que eu ía fazer? Eu tinha que estar na manhã seguinte em São Paulo, já que eu já tinha uma outra passagem marcada para viajar para Rondônia nessa mesma manhã, com a TAM, mas com um detalhe: saindo do aeroporto de Congonhas, não de Guarulhos.


Mesmo achando que seria em vão, eu comecei a falar: "Senhora, por favor, a Lufthansa cancelou nosso vôo para Paris, mas nosso vôo Paris - São Paulo com a TAM não foi cancelado. Nós sabemos que tem um (único) vôo saindo de Frankfurt direto para São Paulo às 22:00 horas, e nós gostariamos de tentar pegar esse vôo." Enquanto eu falava a senhora que me atendia olhava para a tela de seu computador, e até onde eu podia perceber, ela estava me ignorando completamente. Até que ela se virou para mim e falou "Eu posso colocar vocês na lista do vôo da Lufthansa direto para São Paulo, mas o vôo está cheio e o embarque vai começar daqui a pouco em outro terminal. Vocês terão de correr muito e ter MUITA, MUITA sorte, e já tem outras 20 pessoas na lista de reserva." Eu mal podia acreditar no que eu estava ouvindo...E falamos que sim, que queriamos tentar. Eu perguntei: "Mas e as nossas malas?" Ela, dramaticamente e séria falou: "Esqueça suas malas. Boa sorte, corram!"

Eu estava tão cansada, fazia 6 horas que eu não comia algo decente (exceto as barras de chocolate e a àgua que estavam dando no aeroporto para as pessoas presas no caos), já tinha andado tanto...mas nós corremos mesmo assim, com bolsas de mão pesadas, casaco e cachecol pendurados nas bolsas...fomos correndo pelo aeroporto torcendo que um milagre fosse possível.

Chegamos no portão do vôo para São Paulo, e havia centenas de pessoas sentadas esperando pela chamada de embarque. Nós teríamos de esperar o embarque de todo mundo pra depois saber se haveria ou não lugar no avião. A demora parecia eterna, mas todo mundo entrou e começaram a chamar alguns nomes. Até que chamaram a Bruna primeiro, e eu falei "E eu, moça? Nós fizemos a reserva juntas" Ela me perguntou meu sobrenome e falei que era Rangel e ela pegou meu passaporte e em alguns poucos minutos eu tinha nas minhas mãos a minha passagem de vôo direto: Frankfurt - São Paulo. Meus olhos encheram de lágrima, eu não conseguia acreditar que nós realmente tínhamos conseguido passar por aquele furacão e sair da Europa no mesmo dia.

Já dentro do avião eu sentei, ainda meio fora de mim, agradecendo ter conseguido entrar... Demorei bastante tempo para perceber que no assento não tinha televisão, mas depois de tudo aquilo, eu viajaria no banheiro ou até sentada no chão.


Logo antes do avião decolar, já andando pela pista o piloto nos disse "Boa noite, passageiros. Nós devemos nos considerar com muita sorte por conseguirmos sair de Frankfurt essa noite!" Olhei pela janela do avião e vi que havia começado a nevar e entendi como aquele dia apesar de tudo foi mesmo de muita sorte... nós decolamos, e saímos da Europa num vôo tranquilo.

Chegamos em São Paulo na manhã seguinte às 07:30 (horário de Brasília), minhas malas, obviamente, não vieram. Encontrei minha irmã às 09:00 e corremos para o aeroporto de Congonhas, e chegamos na hora certa para fazer o check-in.

Cheguei em Rondônia de bota, calça, blusa de manga comprida, casaco e cachecol no braço, meu computador e minha bolsa de mão. Sem malas, sem nada... no calor de 30 graus.

Mas já o dilema das minhas malas extraviadas é um outro capítulo...

Se vocês se cansaram de ler esse post (que realmente ficou gigantesco), imagem viver esse dia! Mas tudo vira uma experiência de vida e uma boa história pra se contar!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Viajando...

Estou no Brasil passando as férias de natal e ano-novo com a minha família, mas em breve o blog voltará ao normal! :)

Beijos!